Alberta, Colúmbia Britânica e Ontário ampliam oportunidades de formação e carreira para brasileiros no Canadá

Estudar em Alberta, na Colúmbia Britânica ou em Ontário tem se tornado uma alternativa bastante procurada por brasileiros que buscam formação técnica e superior aliada à qualidade de vida. Colleges e universidades dessas três províncias canadenses reúnem programas voltados à tecnologia, engenharia, saúde e negócios em cidades reconhecidas pela segurança, pelo custo de vida competitivo em relação a Toronto e Vancouver e pelo equilíbrio entre rotina profissional e bem-estar.

Um retrato desse cenário foi apresentado durante o Fórum Educacional Brasil-Canadá 2026, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), no último mês, que reuniu representantes do Ministério da Educação (MEC), do Consulado Geral do Canadá e de instituições de ensino dos dois países. Para William Bertaiolli, coordenador da Comissão de Educação da CCBC e Brazil Manager do Sault College, o encontro reflete o fortalecimento da relação entre Brasil e Canadá no setor educacional. “Foi uma união de esforços e conteúdo relevante para construir cada vez mais essa ponte”, afirma.

Em Calgary, maior cidade de Alberta, o Southern Alberta Institute of Technology (SAIT) oferece formação em energia, cibersegurança, computação em nuvem, automação, desenvolvimento de software e análise de dados, além do Cyber Range, ambiente criado para capacitar estudantes diante do avanço dos ataques cibernéticos na região.

Antes conhecida sobretudo pelo petróleo, Calgary vem se firmando como um dos polos de tecnologia que mais crescem na América do Norte, com salário mínimo entre os mais altos do país, custo de vida inferior ao de Toronto e Vancouver e acesso rápido às Montanhas Rochosas — uma combinação que tem atraído tanto empresas quanto estudantes internacionais.

Na Colúmbia Britânica, a região metropolitana de Vancouver concentra três das instituições que integraram o Fórum. O Langara College apresentou seu modelo de University Transfer, que permite iniciar os estudos no college e depois transferir créditos para universidades como a University of British Columbia (UBC) e a Simon Fraser University (SFU).

O Douglas College, com mais de 30 programas de pós-graduação entre suas mais de 100 opções para estudantes internacionais, reforça áreas como tecnologia, análise de dados, marketing, finanças, logística, compliance e ESG. Já a University Canada West (UCW) apresentou o ecossistema de negócios e empreendedorismo da região, impulsionado pelo crescimento de startups e empresas de tecnologia. Vancouver está entre as cidades mais multiculturais do mundo – cerca de um terço de seus moradores nasceu fora do Canadá – e figura com frequência entre as mais bem avaliadas em qualidade de vida global, com clima ameno e acesso simultâneo a montanhas e ao litoral do Pacífico.

“Tivemos instituições falando sobre o mercado de engenharia, comunicação, entretenimento, saúde e tecnologia, conteúdo essencial de quem está criando essa conexão entre os dois países”, destaca Bertaiolli.

Em Ontário, o Canadá se apresenta em duas frentes bem distintas. Criada a partir de um plano de desenvolvimento econômico da região, a University of Niagara Falls Canada oferece programas em tecnologia, saúde, sustentabilidade, gestão e inteligência artificial. A cidade de Niagara Falls tem custo de vida mais baixo que o de Toronto. Está entre as regiões metropolitanas com menor índice de criminalidade do país e soma à vida acadêmica atrativos como a rota de vinícolas da região e o acesso direto a Toronto por trem.

Já o Sault College, em Sault Ste. Marie, no norte de Ontário, apresentou sua oferta em engenharia, trades, tecnologia, saúde e sustentabilidade, em uma região de forte tradição industrial nos setores de aço, manufatura, energia e manutenção de aeronaves. Apontada entre as cidades mais receptivas do Canadá, Sault Ste. Marie tem custo de vida entre os mais baixos do país e proximidade com os Grandes Lagos, que garante trajetos curtos entre casa, trabalho e natureza.

Bertaiolli, que também é gerente regional no Brasil e líder nacional da instituição, destacou a complementaridade entre a demanda canadense e a oferta de profissionais brasileiros. “O Canadá tem essa demanda de profissionais qualificados, e o Brasil tem essa mão de obra especializada; o Brasil pode colaborar muito para o desenvolvimento do Canadá”, afirma.

Pedro Augusto Dias
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