Alta das passagens aéreas: como se planejar para viajar em 2026?

Alta das passagens aéreas: como se planejar para viajar em 2026?

Em meio à alta do petróleo, o preço das passagens aéreas subiu. Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos, explica como se organizar para viajar e aproveitar os feriados do ano

A guerra no Irã segue espalhando seus efeitos pelo mundo e um deles está sendo no preço da passagem aérea. Recentemente, a Petrobras anunciou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV). O Governo Federal, inclusive, zerou PIS e Cofins sobre o combustível de aviação para conter a alta do preço das passagens aéreas. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o anúncio do aumento pela Petrobras. 

“Quando o petróleo sobe, o preço do combustível de aviação avança quase que instantaneamente. Além disso, por causa dos conflitos, muitos aviões precisam mudar suas rotas para não passar por regiões perigosas. Isso faz com que a viagem fique mais longa, gastando ainda mais combustível”, explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos.

E em meio a esse cenário de inflação alta e combustível caro, como se planejar em um ano em que o calendário é repleto de feriados prolongados? Para transformar o descanso em uma experiência positiva de verdade, não basta escolher o roteiro: é preciso organizar o bolso para que a viagem não termine em endividamento.

Essa é a avaliação de Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP®, que defende que viajar não depende apenas de renda, mas principalmente de preparo. Segundo ele, o erro mais comum está em tratar a viagem como uma decisão emocional, tomada de última hora, sem previsão real de custos.

Quem não se organiza paga mais caro, decide por impulso e corre o risco de transformar um momento de descanso em problema financeiro. Viajar sem planejamento pode até parecer liberdade no começo, mas muitas vezes termina em dívida, parcelas acumuladas e dor de cabeça na volta. O ideal é que a pessoa viaje sabendo exatamente quanto pode gastar, com o máximo possível já pago e sem comprometer a própria estabilidade financeira”, afirma Jeff.

Para o especialista, o primeiro passo é simples e continua sendo um dos mais eficientes: colocar tudo no papel. Em vez de decidir o destino com base no impulso, no convite de amigos ou na promoção que apareceu no momento, o ideal é montar uma lista prévia dos lugares que a pessoa quer conhecer, cruzando essas opções com as datas disponíveis, o tipo de viagem desejado e o orçamento possível.

“Quanto mais você listar os destinos e souber para onde quer ir, antes consegue fazer essa emissão”, diz. Na prática, isso ajuda o viajante a fugir da pressa, comparar preços com calma e escolher o que de fato faz sentido para sua realidade, e não apenas o que apareceu como oportunidade pontual.

Outro ponto central é entender que nem todo feriado precisa virar viagem. Para Jeff, parte do planejamento consiste justamente em selecionar quais datas serão aproveitadas e quais devem ser deixadas de lado. Isso evita a armadilha de tentar aproveitar tudo e acabar comprometendo o orçamento dos meses seguintes.

No caso de quem tem mais flexibilidade de agenda, a recomendação é clara: viajar fora dos feriados pode gerar uma economia relevante. “Você consegue fazer duas viagens com o preço de uma”, afirma. Já para quem depende de feriados e emendas por conta da rotina de trabalho, o planejamento antecipado se torna ainda mais importante porque os custos costumam subir justamente nas datas de maior procura.

Jeff também faz um alerta sobre a forma de pagamento. Parcelar sem juros pode ser uma ferramenta útil, desde que a viagem já caiba no orçamento e não se transforme em bola de neve. O problema, segundo ele, é quando a pessoa volta para casa carregando parcelas, empréstimos ou cheque especial. “Minha sugestão é viajar com tudo pago”, diz.

A orientação é criar uma reserva específica para viagens, separada da reserva de emergência. Isso pode ser feito com aportes mensais, em uma caixinha, cofrinho ou aplicação simples, de acordo com a realidade de cada pessoa. Para o especialista, a lógica é transformar a meta da viagem em um compromisso mensal planejado, sem depender de crédito caro nem de decisões apressadas.

Ele também reforça que a reserva de emergência não deve ser usada para lazer, exceto em último caso. “A reserva de emergência é para emergências. Viagem não é emergência”, afirma. Na visão de Jeff, confundir esses dois objetivos enfraquece a proteção financeira justamente quando ela pode fazer mais falta, como em uma demissão ou problema de saúde.

Além do custo da passagem e da hospedagem, o especialista chama atenção para uma etapa que costuma ser subestimada: o gasto durante a viagem. Alimentação, deslocamento, passeios, compras e pequenos extras podem fazer o valor final fugir bastante do previsto. Por isso, ele recomenda definir um orçamento total antes do embarque e dividir esse valor pelos dias de viagem, criando um teto médio diário.

“Tenha sempre um orçamento total. A partir disso, o viajante consegue gastar com mais consciência, compensar excessos em um dia com escolhas mais econômicas no outro e ainda preservar margem para imprevistos ou experiências especiais que realmente valham a pena no destino”, orienta.

Jeff também defende que conhecer previamente o local ajuda a evitar desperdícios. Pesquisar atrações, custos médios, deslocamentos, clima e perfil do destino reduz gastos desnecessários e melhora a tomada de decisão. “Quanto mais você organiza a viagem, mais preparado chega ao destino”, resume.

No caso de passagens aéreas, hotéis, carros e milhas, ele recomenda estratégia, mas sem ilusão. Há oportunidades, programas de fidelidade e formas mais vantajosas de compra, porém nada substitui o básico bem feito: antecedência, comparação de preços e clareza sobre o destino desejado.

Para viagens curtas, bate-voltas e roteiros de carro em cidades próximas, a lógica é a mesma. Embora esses deslocamentos sejam normalmente mais acessíveis do que uma viagem longa, eles também pesam no bolso e precisam entrar no planejamento. “Mesmo uma viagem curta custa mais do que ficar em casa. Por isso, também precisa estar no orçamento”, alerta.

No fim, a principal mensagem é que viajar não precisa ser sinônimo de culpa financeira nem de improviso. Com metas realistas, antecedência e controle de gastos, o descanso pode caber no orçamento sem comprometer o restante do ano. “Viajar no feriado não é um problema financeiro. É uma questão de planejamento”, resume Jeff.

Adriane
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